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EDUCAÇÃO

Alexandre é jornalista, secretário executivo da rede CEP e colaborador da ONG Cidade Escola Aprendiz

Educação é informação, por Alexandre Le Voci Sayad (alevoci@uol.com.br)

Mocorongos invadem Manhattan

A multifacetada São Paulo vivenciou a experiência de se transformar na Amazônia em 2002. O mesmo aconteceu com a lasciva Rio de Janeiro em 2004 e com a clássica Paris, em 2005.

Mais que uma exposição, a Amazônia Brasil é uma experiência sensorial: levou cenários e maquetes em tamanho real onde esteve e transformou os espectadores em moradores da floresta, com as impressões de luz, cheiro e sons típicias de um lugar que, nem de longe, remonta a São Paulo, Rio de Janeiro ou Paris. O premiado Designer Gringo Cardia assina a arte final.

Em abril de 2008, o Pier 17, a simpática área revitalizada do sul da ilha de Manhattan, terá a chance de transformar o sentimento de culpa e a chatice da insistência do tema do aquecimento global numa preocupação real e consciente na cidade que é o umbigo das mezelas mundiais. O mocorongos da organização Saúde e Alegria invadirão a cidade em 11 pontos diferentes levando uma versão da Amazônia Brasil.

Trata-se da maior exposição sobre o tema naquela cidade que praticamente reproduzirá o cilma amazônico e a variedade de culturas de 220 povos e 180 línguas diferentes – portanto não há exagero no título deste artigo, que passa longe também de uma referência a um filme dos Muppets, de Jim Henson. Mocorongos são os nascidos na região de Belém – é um termo positivo de identidade cultural.

Com o custo de US$ 4,8 milhões, a Universidade de Nova York, o Central Park, o Smithsonian Institute e o Museu do Índio Americano de Nova York, são apoiadoras e participantes do evento. Simultaneamente, a Conferência das Nações Unidas sobre o Aquecimento Global e os Impactos das Mudanças Climáticas na Amazônia, será realizada na sede da ONU. Quem paga a conta é a Alcoa e mais uma série de empresas ligadas ao Instituto Ethos; o evento tem apoio também de alguns ministérios brasileiros.

“É uma experiência sensorial, que vai chegar lá maior do que as outras versões”, contou, empolgadíssimo, Cateano Scannavino, um dos coordenadores do Saúde e Alegria. O trabalho da organização começou lá nos anos 80, quando Eugênio Scannavino, médico e irmão de Caetano, percebeu que as doenças que mais acometiam algumas comunidades ribeirinhas do rio Tapajós (Pará) estavam relacionadas à falta de informação sobre saúde pública.

O Saúde e Alegria tornou-se pioneiro no uso de comunicação na área de saúde: por meio da produção de jornais, rádio e circo, os jovens da comunidade reverteram o quadro.

Com grande visibilidade internacional, Eugênio foi eleito em 2006, pela fundação Schwab, uma das 21 liderenças do século XXI e ganhou passe livre para circular em Davos e nos circuitos políticos de todo o mundo. No mesmo ano, o Saúde e Alegria passou a integrar também a Rede CEP (Rede de Experiências em Comunicação, Educação e Participação), que tem levado o tema da educação para as políticas públicas brasileiras.

A comunicação, neste caso, ganhou status de ferramenta de desenvolvimento local e comunitário – isso vem acontecendo em experiências brasileiras em que a utopia de uma rede comunitária de educação torna-se real, seja a partir da escola, ou não.

Num olhar mais geral, a impressão que se tem é que a era da informação está se tornando num conceito de museu para os mais jovens e a escola ainda não percebeu isso; a comunicação estaria agora, num outro patamar, abrindo as portas para a integração de fazeres e áreas, e ajudando assim o desenvolvimento da educação em si.

A hora e a vez do pedestre

Edmund White é o norte-americano que descobriu que flanar (andar sem rumo) por uma cidade é como mergulhar na Filosofia: enquanto se caminha, o destino cuida de preparar o terreno para que uma história própria seja criada pelo flanador. Os sentidos se abrem na percepção de um novo espaço público e os questionamentos da existência aparecem; assim ele escreveu Le Flâneur, ambientado em Paris.

Muita gente imagina que São Paulo não seja uma cidade para se flanar - porque desconhece a realidade parisiense de White, que tinha um contraste social tão violento quanto o paulistano.

Flanar pela megacidade de São Paulo é, sim, difícil. Não pela violência, mas porque o pedestre é considerado um cidadão de segunda categoria. É como se ele se abstivesse de direitos básicos por optar em não possuir um bem de consumo: o carro. Aliás, quando o assunto é consumo, São Paulo é tão cruel que tem a ousadia de desconfiar dos benefícios da recente limpeza e regulamentação de outdoors.

O risco iminente de ser atropelado numa faixa de pedestres ou numa calçada mal acabada, de ter problemas auditivos com buzinadas de motoristas fora de controle ou de sentir-se ofendido com xingamentos torna a tarefa de andar a pé pela cidade tão perigosa quanto a de um protagonista de um jogo violento de videogame.

É brilhante a idéia do movimento "Nossa São Paulo: Outra Cidade" (http://www.nossasaopaulo.org.br) em juntar-se a outras mais de mil pelo mundo que já realizam o Dia Mundial sem Carro (22 de setembro). Embora por aqui a articulação envolva a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, a questão ambiental será a menos beneficiada pela ação.

É verdade que 40% da poluição do ar da capital paulista vem da frota de carros, que só perde em tamanho para Tóquio. Certamente os dias de baixíssima umidade relativa do ar que seguem em setembro ganharão mais qualidade com menos carros na rua.

Mas, no mesmo Dia Mundial sem Carro em que pessoas utilizarão o transporte público, andarão a pé ou de bicicleta em Londres, Nova York ou Madri, o paulistano viverá a sina do pedestre de uma cidade que carece de calçadas, ciclovias, passarelas e transporte público.

Quem abandonar o carro em 22 de setembro terá a chance de, quem sabe, mudar o próprio olhar sobre a cidade, como o flanador de White. A grande oportunidade será entender o conceito de interesse público; raro e muitas vezes vilipendiado no cotidiano de São Paulo.

A recente e tímida revitalização de algumas calçadas, apoiada em um modelo arquitetônico sugerido pela prefeitura, foi um passo interessante para a cidade respeitar sua população que anda a pé. A gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP), que começou frágil e sem rumo, tem a chance agora de ficar reconhecida na história como aquela sublinhou os direitos dos pedestres.

E que também valorizou a postura daqueles que abandonaram o conforto do automóvel para arriscarem-se na descoberta de ser um flanador

Eu não "cansei"

Quando, há aproximadamente um ano, fui a um resort na Praia do Forte (BA) participar das articulações finais do movimento “Todos pela Educação”, confesso que desconfiava um pouco de tudo que aconteceria por lá. Até então, embora envolvendo nomes influentes na política e economia latino-americanas, tudo tinha sido tramado entre as paredes da casa de um e de outro. O “Todos” que dava nome à causa soava um pouco irônico – dez pessoas? Ex-presidentes e empresários poderiam ser “todos”?

Mas o que vi no encontro me surpreendeu. Foi um debate sério reunindo diversos setores da sociedade, com diagnóstico preciso e foco apurado das questões ligadas à educação nacional, embora com um viés demasiadamente econômico. Saí de lá com a impressão de que a elite brasileira, a exemplo da mexicana e colombiana, começava a se organizar, com metas claras, para que a enxurrada de trabalhadores com educação ruim não afogasse seus negócios – e principalmente a economia do Brasil.

O slogan do recém-criado movimento “Cansei” é de isca fácil – lembra até a boa publicidade brasileira dos anos 80. A presença de Flávio D’Urso, por quem tenho grande admiração, ajuda na aceitação. Mas basta um olhar mais profundo para se perceber que tudo não passa de uma bobagem - do começo ao fim.

Isso nada tem a ver com o direito à indignação. Todos podemos nos indignar, e inclusive devemos, mas um movimento que não traz uma proposição clara, uma sugestão de governo, uma reivindicação ou mesmo um posicionamento ideológico, me faz lembrar um bebê mimado “cansado” de comer sua papinha matinal: cruza os braços, diz “cansei” e faz biquinho.

O fato é que mudança se faz com articulação social e política e não com palavras de ordem. Inúmeros movimentos surgidos depois da abertura democrática no Brasil levaram à ações concretas porque tinham proposições sólidas e articulação política – o que seria do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) se o movimento que levou à sua elaboração se limitasse a dizer “Queremos o ECA” ?

O programa “Todos pela Educação” se institucionalizou após aquele encontro. Virou uma organização-não governamental com gente de primeiro time para articular as metas propostas. Foi tão incisivo e preciso que acabou por influenciar diretamente a elaboração do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação). Agora tenta se reinventar para não se confundir com o governo.

Por outro lado, é preciso entender que movimentos sociais também amadurecem – talvez o “Cansei” tenha ainda uma chance. O “Sou da Paz”, por exemplo, conhecido movimento de origem na Faculdade do Largo de São Francisco, passou de uma coletânea de fotos de artistas fazendo uma pombinha com a mão para uma série de articulações importantíssimas para as políticas educacionais e de segurança pública.

Do que tenho certeza no momento é que a sociedade brasileira não precisa escutar “Cansei da Violência” – é a obviedade estéril, que não contribui com nada. Afinal, que eu saiba ninguém tem o desejo obscuro de levar um tiro na rua quando vai do supermercado pra casa.

Voltando mais uma vez aos advogados, o ex-governador Claudio Lembo lembrou brilhantemente em um recente artigo, que é muito mais fácil querer derrubar governo, gritar, espernear, a discutir as questões relevantes. Política é ainda um mal necessário.

Maré comunicativa nos Panamericanos

Há poucos assuntos na mídia que me desinteressam tanto quanto a cobertura esportiva de modo um geral. Muitas vezes a abordagem sobre o esporte é tão coloquial e redundante que beira a mediocridade dos bate-papos de botequim, me levam quase sempre a virar a página, zapear os canais ou simplesmente abrir um livro. Os jornalistas esportivos são, em sua maioria, mal preparados – Jucas Kfouris são pedras preciosas como Pelés.

Até pouco tempo me limitava a ignorar os Jogos Panamericanos, como faço com as Olimpíadas e, acreditem, com a Copa do Mundo. Mas um grupo de adolescentes da comunidade da Maré, no Rio de Janeiro, conseguiu despertar em mim um vulcão adormecido de curiosidade sobre o que acontece durante a competição. Não parei mais de acessar o blog Maré Comunicativa (link para http://marecomunicativa.blogspot.com/), alimentado por eles.

Coordenados pela ONG Observatório de Favelas, esse grupo integra a turma dos “guias cívicos”, programa que as Nações Unidas desenvolvem junto a voluntários do Pan. Ao mesmo tempo, realizam a cobertura on-line com um olhar muito especial. Fotos, vídeos e textos mostram como os jogos afetam o dia a dia dos moradores. Detalhes de bastidores, preparações e outros pequenos acontecimentos, geralmente ignorados pela falta de agucidade jornalística na grande imprensa, ganham importância na cobertura.

“Eles se enchem de alegria ao perceberem que o material foi publicado”, conta Márcio Blanco, um dos coordenadores da ONG. “O Orkut tem dezenas de comunidades de moradores da Maré que se organizam e trocam informações; a comunidade está repleta de Lan House”, lembra o cineasta, sobre a importância da utilização das novas mídias no dia-dia da comunidade.

Mais do que desenvolver programas em educação e comunicação, o Observatório de Favelas exerce durante todo o ano o papel de fomentador cultural na Maré. Realiza fóruns de discussão sobre audiovisual e atua politicamente junto a dezenas de outras ONGS para a democratização da produção e distribuição de filmes.

Outra comunidade carioca que também está envolvida na cobertura dos Jogos Panamenricanos é a Cidade de Deus, que tem apoio do Unicef para realizar a cobertura PapoPan (link para http://www.revistaviracao.org.br/agencia/). Quem coordena a iniciativa é a Revista Viração, que desde 2003 mistura educação e comunicação em suas páginas e realiza por lá oficinas de rádio, vídeo, texto e fotos.

A comunicação, em ambos os casos, se mistura com a educação e, torna-se um pilar importante nas comunidades. Seja em reportagens sobre as competições oficiais, ou então sobre o “Esporte Irônico”, como é chamado o corre-corre quando a polícia sobre o morro, a cidadania ganha peso importante nas palavras e imagens expressadas pelos jovens.

“Todo o lixo da obra do Engenhão foi colocado no terreno baldio atrás das casas dos moradores”, disse o entrevistado para uma das reportagens. Com esse jornalismo de qualidade, os adolescentes levam o bate-papo esportivo, aos poucos, para muito além dos estádios e, principalmente, dos botequins.

A morte do Mickey palestino e o direito das crianças

Há algumas semanas os executivos da Disney tiveram pesadelos ao conhecer o personagem Farfour: uma cópia grotesca do Mickey Mouse exibida no programa infantil "Pioneiros do Amanhã", da televisão palestina Al-Aqsa. Mas os piores sonhos abasteceram mesmo a mente de quem defende os direitos das crianças.

Farfour pregava, constantemente, o ódio ao Estado e ao povo de Israel ao seu público infantil. E, pasmem, semana passada, o Mickey Palestino foi "executado a facadas", em pleno ar, por um ator representando uma autoridade de Israel. A moral da história foi logo lida pela apresentadora mirim, que aparentava não ter mais que 10 anos, que conduzia o programa: "Farfour morreu como um mártir para nós". (http://www.youtube.com/watch?v=kW27_Dypkgo)

É difícil separar a informação política de toda essa situação, mas o fato que se sobrepõe à questão palestina é que a Al-Aqsa atacou diretamente o direito das crianças que assistiam ao programa "Pioneiros do Amanhã". Invadiu o espaço da infância com violência. O que propõe justamente a Convenção dos Direitos da Infância, assinada em 1989 pelo Brasil, é a garantia que as crianças não sejam expostas à informação que não conseguem discernir, como cenas de violência e sexo.

Mulçumanas, cristãs ou judaicas, a Convenção garante o direito à infância de forma universal. Pretende derrubar as barreiras subjetivas de diversas culturas e crenças - que poderiam tornar-se argumentos favoráveis à Al-Aqsa nesse caso. O "bom senso cultural" é um mito que precisa ser exterminado quando o assunto é garantia de direitos a crianças e jovens.

Regulamentar a programação televisiva, indicando horários adequados para as diversas faixas etárias, é prática comum na Austrália, Holanda, Alemanha, Itália, Argentina e em outra dezena de países. No Brasil, opositores do sistema vem tentando associar a regulação democrática à prática da censura prévia, comum em tempos de ditadura.

O fato é que esses países de democracia mais madura utilizam justamente a regulação democrática para consolidar o estado de direito (como no caso do Channel 4 britânico).

Mas é compreensível que a sociedade brasileira, em plena construção de um estado democrático, precise de mais subsídios para discutir a questão profundamente. Por conta disso, a ong Andi (Agência Nacional dos Direitos da Infância) produziu um material riquíssimo e detalhado sobre o assunto - e livre para download. (www.andi.org.br)

A classificação indicatória é um excelente instrumento de educação para os pais, pois explicita o conteúdo dos programas que vão ao ar. O Ministério da Justiça não tem, e nem terá, poderes de proibir conteúdos ou censurar cenas - e sim, recomendará horários adequados. A MTV Brasil é uma das poucas emissoras por aqui que aprovou a idéia e vem colocando algo semelhante em sua programação.

Ao contrário do rato Farfour, a Al Jazeera, emissora do também árabe Qatar, transmite programação de qualidade para crianças e jovens mulçumanos, com debates sobre sexualidade e política, sempre em respeito à religião. Prova que a exibição de conteúdo de qualidade, sem ferir liberdade de expressão e ou de leis de mercado, será uma realidade possível quando a sociedade brasileira encarar de frente essa discussão.

P.D.E.

Quem acompanha a educação brasileira nesta semana pôde olhar para a situação com um pouco mais de otimismo. É que o governo federal anunciou o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) - um projeto ambicioso, que pretende destinar mais de R$ 1 bilhão para a Educação nos próximos 15 anos. Além disso, o Plano cria novas avaliações de ensino, abre a porta da escola para projetos digitais e amplia as bolsas para a universidade. Até quem não está aliado ao governo tem elogiado o plano e o presidente aproveita o momento para se gabar da sua gestão. Minha maior preocupação é que um projeto desse tamanho se perca em seus objetivos e, deixe, por exemplo, de articular as ações com toda a sociedade. Afinal, a educação é responsabilidade de todos e muitas vezes só dinheiro não ajuda.

DIREITO À COMUNICAÇÃO

O grupo Intervozes - que são jornalistas engajados no direito que todos nós temos em nos comunicar - acaba de lançar um portal muito interessante sobre o tema. O Observatório do Direito à Comunicação traz textos e outros materiais sobre TV Digital, internet, conteúdo de programação e comunicação popular. Há também um fórum para debates de todos esses assuntos, além de entrevistas exclusivas. O direito à Comunicação é estabelecido na constituição a todos os cidadãos e o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, garante esse direito como fundamental para o exercício da cidadania. Participe e deixe sua opinião no Observatório do Direito à Comunicação. Anote aí o endereço: www.direitoacomunicacao.org.br.

Cúpula Mundial de criança e mídia

A cidade de Johannesburgo, na África do Sul, recebeu no mês passado crianças e jovens de todo o mundo para discutir a qualidade da TV, Radio, Internet e revista feitos para eles. Também aproveitaram para debater o espaço que as crianças têm na mídia para expressar suas vontades e reivindicar seus direitos. Tudo isso foi parte da 5ª Cúpula Mundial de Criança e Mídia, evento que acontece de três em três anos e reúne empresas de comunicação, governos, ongs e jovens. Eu estive lá e pecebi a África e America Latina estão carentes de programação de qualidade que represente suas crianças – foi o que me disseram alguns representantes mirins da Argentina, Haiti, Libéria e Moçambique. Vale lembrar que o direito de se comunicar é um dos princípios básicos de uma educação de qualidade; afinal não é à toa essa coluna se chama Educacão é Informação.

Mais informações: www.5wsmc.com


Rádio Jojo

O grande lance das escolas públicas de Berlim, na Alemanha, é a Radio JOJO. Trata-se de uma atividade em que os estudantes criam programas de Rádio que vão ao ar nas emissoras comunitárias locais. Isso é muito importante por lá porque a imigração para Berlim, principalmente de turcos, provoca uma situação educativa que pode virar uma bomba relógio se não for tratada com atenção. São muitas culturas diferentes em sala de aula. Além disso, iniciativas como essa nasceram na Alemanha após o país não obter uma posição boa no PISA – aquele exame que compara a educaçao de quase todos os países do mundo.

Aqui em São Paulo a Rádio também é uma realidade para os estudantes de escolas municipais. A USP lançou há quatro anos o programa Educom.Rádio em que os estudantes têm disponíveis equipamento e professores treinados para produzir programas de radio. Vai a dica: se você é estudante de escolas municipais de São Paulo faça valer seus direitos e participe do Educom.Rádio.

Mais informações: www.usp.br/nce/ e www.radijojo.de


Rádio Moçambique

Moçambique, o país africano que foi colônia portuguesa como o Brasil, foi destaque na 5ª Cúpula Mundial de Criança e Mídia que aconteceu mês passado em Johannesburgo, na África do Sul. Isso porque o país demonstra extrema preocupação com a qualidade da programação de Rádio e TV destinada a crianças e adolescentes. A Rádio Moçambique, por exemplo, transmite desde 2000 o programa “De Criança para Criança” – em português, inglês e mais de 20 línguas locais moçambicanas. Todo o programa, da produção, gravação, reportagens, edição até a apresentação, é feito por crianças que definem “o que” e “como” os assuntos serão tratados no ar. Por ano, cerca de 30 programas são produzidos envolvendo mais de 200 crianças e transmitidos para todo o país. O “De Criança para Criança” tem o apoio do Unicef de Moçambique e já recebeu diversos prêmios por sua importância na defesa dos direitos da infância na África.


Vlog CitzenTube

O portal de vídeos Youtube inovou mais uma vez lançando um canal exclusivo para a política. O CitzenTube é um vlog, ou seja, um blog de vídeos, editado por um jornalista, que disponibiliza material de qualquer usuário que queira passar uma mensagem política, explícita ou não. Aos poucos a política americana, que era o tema predominante no CitzenTube, abre espaço para outros assuntos de interesse mundial, como a situação na África e América Latina. Parece que agora as escolas têm um pretexto explícito para utilizar o Youtube em sala de aula – afinal participação política, cidadania e educação são questões diretamente ligadas. Algumas escolas de São Paulo, como a Nossa Senhora das Graças, por exemplo, já realizam há algum tempo programas educativos que unem a produção de vídeos ao aprendizado sobre a mídia em geral. Para conhecer melhor o novo canal, basta acessar o www.youtube.com e clicar em CitzenTube.